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A maior mentira sobre o dinheiro!

O SISTEMA NÃO TE PREPARA PARA SERES FINANCEIRAMENTE LIVRE

Desde pequenos, somos condicionados a aceitar uma vida de trabalho até aos 66 anos, muitas vezes sem gostarmos do que fazemos, com a perspetiva de uma reforma limitada. A escola dá-nos ferramentas importantes, mas prepara-nos para servir o sistema, não para sermos financeiramente livres. O sistema educativo tende a privilegiar o conhecimento teórico, deixando de lado competências essenciais como a literacia financeira e a gestão do dinheiro.

IMPOSTOS E CRÉDITO

A complexidade fiscal favorece quem domina as regras. Num sistema cheio de exceções, deduções e prazos, o valor final do imposto depende em parte do conhecimento. Quem não conhece bem as regras tem maior probabilidade de cometer erros e pagar mais. Os bancos ganham dinheiro com os nossos créditos: quanto mais dívidas tivermos e mais tempo demorarmos a pagá-las, mais lucro têm. Estimulam o consumo fácil, oferecem crédito com aparente facilidade, mas muitas vezes não deixam claros os custos associados.

O QUE É O DINHEIRO, AFINAL?

O dinheiro é uma ferramenta criada para facilitar trocas e medir valor numa sociedade. Representa aquilo que a sociedade aceita como meio de pagamento: tempo, trabalho ou bens produzidos. Com a inflação, os preços sobem e o dinheiro vale cada vez menos. O preço do Big Mac nos EUA ilustra bem este fenómeno: em 2000 custava $2,51; em 2010, $3,73; em 2015, $4,79; e em 2025 já custa $6,10. Se tivéssemos guardado $2,51 num mealheiro em 2000, hoje não chegaria para comprar o mesmo hambúrguer.

Preço do Big Mac nos EUA: 2000–2025

COMO É CRIADO O DINHEIRO?

O dinheiro é criado principalmente de duas formas: pelos bancos centrais — como o Banco Central Europeu e a FED —, que emitem notas e criam reservas eletrónicas através da compra de ativos e de operações de refinanciamento a bancos; e pelos bancos comerciais — como a Caixa e o Santander —, que quando concedem um empréstimo, como um crédito à habitação, não estão a usar dinheiro de depósitos existentes, mas sim a criar dinheiro novo, que nasce no momento em que alguém assume dívida.

INVESTIR A LONGO PRAZO REDUZ O RISCO

Para o dinheiro deixar de ser apenas um meio de troca e começar a trabalhar por nós, é preciso assumir risco. No mercado de ações dos EUA, os dados históricos mostram que, quanto maior for o horizonte, menor tende a ser a probabilidade de perda. Com um horizonte de 1 mês, a probabilidade de perda foi de 37%. Com 1 ano, baixou para 25%. Com 5 anos, para 12%. Com 10 anos, para 5%. E com 15 anos, a probabilidade de perda foi apenas de 0,2% — com 99,8% de vezes em que quem investiu saiu com dinheiro.

Retornos das ações nos EUA (1926–2017): risco vs. horizonte temporal

A BASE PRIMEIRO

Mas não faz sentido investir se isso te deixar sem margem para viver com estabilidade. O primeiro passo é garantir uma base sólida. Só depois é prudente começar a alocar capital a investimentos. O tempo passa rápido, e os hábitos que desenvolvemos podem impactar de forma decisiva a nossa situação financeira.