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ROE e ROA: como meço a eficiência de uma empresa antes de investir

Quando analiso uma empresa, uma das primeiras perguntas que faço não é “quanto ganha?” mas sim “quanto ganha com o capital que tem disponível?”

Uma empresa pode gerar lucros enormes em valor absoluto, mas se precisar de enormes quantidades de capital para o fazer, o negócio pode ser menos interessante do que parece. É aqui que entram o ROE e o ROA.

O que é o ROE?

ROE significa Return on Equity, ou Retorno sobre o Capital Próprio.

ROE = Lucro Líquido / Capital Próprio × 100

Um ROE de 20% significa que, por cada 100 euros de capital próprio, a empresa gera 20 euros de lucro. Warren Buffett tem uma preferência declarada por empresas com ROE sustentado acima de 15%. Empresas que consistentemente geram ROEs elevados fazem-no por uma razão: têm vantagens competitivas que lhes permitem extrair mais valor do capital do que os concorrentes.

O que é o ROA?

ROA significa Return on Assets, ou Retorno sobre os Activos Totais.

ROA = Lucro Líquido / Activos Totais × 100

Os Activos Totais incluem tudo o que a empresa possui. O ROA é uma medida de eficiência mais ampla do que o ROE.

A diferença entre ROE e ROA

O ROE pode ser artificialmente elevado com dívida. Imagina duas empresas com o mesmo EBIT: a Empresa A sem dívida tem ROE de 10%, a Empresa B com dívida tem ROE de 15%, mas não porque é um negócio melhor. A dívida reduz o capital próprio e infla o ROE. Por isso uso sempre o ROA em conjunto com o ROE. Se o ROE é elevado mas o ROA é medíocre, pode estar a usar dívida para amplificar artificialmente o retorno.

A fórmula DuPont

ROE = Margem Líquida × Rotação dos Activos × Alavancagem Financeira

Um ROE elevado pode vir de margens elevadas (muito bom), de alta rotação de activos (bom), ou de muita alavancagem (atenção). As melhores empresas que tenho em carteira têm ROEs elevados pelas primeiras duas razões, não pela terceira.

O que acontece quando o ROE cai

Um ROE em declínio persistente pode significar que as margens estão a comprimir, que o negócio precisa de mais capital para crescer (sinal de que o MOAT pode estar a enfraquecer), ou que a gestão fez aquisições que destruíram valor. Cada causa tem implicações diferentes e exige aprofundar a análise.

Conclusão

Mais do que os valores absolutos, o que me interessa é a tendência, a comparação com pares, e a compreensão de onde vem o ROE: das margens, da eficiência, ou da dívida. Uma empresa que gera ROEs elevados de forma consistente, sem depender excessivamente de alavancagem, é normalmente um negócio de qualidade. E negócios de qualidade, comprados a preços razoáveis, são o melhor investimento que conheço.

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