Há indicadores que parecem simples à superfície mas que, quando os analisas com profundidade, revelam a qualidade real de um negócio. O Working Capital é um desses casos.
Quando comecei a analisar empresas, focava-me quase exclusivamente na conta de resultados. O balanço era para mim um documento intimidante que folheava rapidamente. Foi um erro.
O que é o Working Capital?
Working Capital = Activo Corrente – Passivo Corrente
O Activo Corrente inclui caixa, inventário e contas a receber. O Passivo Corrente inclui dívidas a fornecedores e crédito de curto prazo. Se o resultado for positivo, a empresa tem mais activos líquidos do que obrigações de curto prazo.
Quando um Working Capital negativo é uma boa notícia
Algo contraintuitivo que demorei a assimilar: algumas das melhores empresas do mundo têm um Working Capital consistentemente negativo, e isso é uma vantagem, não um problema.
Pensa num supermercado. Os clientes pagam no momento da compra. Os fornecedores são pagos a 30, 60, ou 90 dias depois. O supermercado vende os produtos antes de os pagar. Empresas como a Amazon, o Walmart ou a Mercadona operam desta forma.
Quando um Working Capital negativo é uma má notícia
Num negócio de manufactura sem poder negocial, um Working Capital negativo pode significar que a empresa tem dificuldades em pagar as suas obrigações de curto prazo. O contexto é tudo.
Os três componentes que analiso
Os Dias de Inventário (DIO) dizem-me quantos dias os produtos ficam em armazém. Os Dias de Contas a Receber (DSO) dizem-me quantos dias a empresa demora a receber dos clientes. Os Dias de Contas a Pagar (DPO) dizem-me quantos dias a empresa demora a pagar aos fornecedores. O ciclo de caixa é DIO + DSO – DPO. Quanto mais negativo, melhor.
Um exemplo da minha própria análise
Numa empresa que analisei para o IFI Premium, uma retalhista especializada, reparei que o ciclo de caixa estava a aumentar progressivamente. As contas a receber cresciam mais depressa do que as receitas. Os números da conta de resultados ainda pareciam razoáveis, mas o balanço contava uma história diferente. Alguns trimestres depois, a empresa anunciou uma redução significativa das previsões. O Working Capital tinha avisado antes da conta de resultados.
Conclusão
A análise do Working Capital é, no fundo, uma análise de poder: quem tem poder no negócio, a empresa, os seus clientes, ou os seus fornecedores?
No IFI Premium analiso o balanço e os fluxos de caixa em detalhe nas teses de investimento mensais.













