Há um conceito que aprendi relativamente cedo, e que mudou completamente a forma como analiso uma empresa antes de investir. Não é o P/E, não é o EBITDA, não é nenhum indicador financeiro. É algo mais conceptual, mas possivelmente o mais importante de todos.
Chama-se MOAT, ou em bom português, vantagem competitiva.
De onde vem o termo MOAT?
A palavra moat em inglês significa fosso, o fosso cheio de água que rodeava os castelos medievais para os proteger de invasores. Warren Buffett adoptou esta metáfora para descrever o que protege uma empresa da concorrência.
Um castelo sem fosso pode ser facilmente atacado. Uma empresa sem MOAT pode ser destruída pelos concorrentes.
Quando comecei a investir, comprava empresas que pareciam baratas com base nos números. Olhava para o P/E, via que estava abaixo da média do sector, e achava que tinha encontrado uma oportunidade. O problema era que não fazia a pergunta mais importante: porque é que esta empresa vai continuar a existir e a prosperar daqui a 10 anos?
Os 5 tipos de MOAT que procuro nas empresas
Existem essencialmente cinco fontes de vantagem competitiva. Uma empresa não precisa de ter todas. Basta ter uma ou duas bem solidificadas.
1. Activos intangíveis (marcas, patentes, licenças)
Uma marca forte é um fosso poderoso. Pensa na Coca-Cola. Toda a gente sabe que é basicamente água com açúcar e gás. Mas as pessoas pagam mais por ela do que por qualquer alternativa. A marca tem um valor emocional que nenhum concorrente consegue replicar facilmente. As patentes também criam fossos, especialmente em farmacêuticas e empresas de tecnologia.
2. Custos de mudança elevados
Já tentaste mudar de banco depois de teres lá a tua conta, o teu crédito habitação, o teu seguro e os teus débitos directos? É um pesadelo. Esse pesadelo é, precisamente, o fosso do banco. Empresas como a Salesforce ou a Microsoft vivem disto.
3. Efeito de rede
O efeito de rede acontece quando o valor do produto aumenta à medida que mais pessoas o usam. O LinkedIn é mais valioso para ti porque está lá toda a gente do mundo profissional. Este é um dos fossos mais poderosos que existe e também um dos mais difíceis de construir.
4. Vantagem de custo
Algumas empresas conseguem produzir mais barato do que qualquer concorrente. A Costco é um exemplo clássico: o seu modelo baseado em membros permite-lhe operar com margens ridiculamente baixas que nenhum concorrente consegue sustentar.
5. Escala eficiente
Acontece em mercados onde só há espaço para um ou dois operadores rentáveis. Pensa nas empresas de transporte de gás natural ou electricidade. Não faz sentido económico construir uma segunda rede paralela.
Como uso o MOAT nas minhas análises
Quando analiso uma empresa, a primeira pergunta que faço é: qual é o fosso desta empresa? Se não consigo responder de forma clara e convincente, passo para a próxima. Não é falta de humildade. É reconhecer que se eu não consigo identificar a vantagem competitiva, provavelmente não existe nenhuma que seja óbvia.
Depois, tento perceber se esse fosso está a crescer ou a encolher. A Kodak tinha um fosso fantástico no mercado da fotografia analógica. Até aparecer o digital.
O erro que cometi e que não queres cometer
Durante algum tempo fui demasiado tolerante com empresas que não tinham MOAT claro, apenas porque os números pareciam atractivos. Comprava, a empresa entregava resultados medíocres, e eu ficava sem perceber porquê. A resposta estava sempre na mesma questão: o que é que esta empresa tem que os concorrentes não conseguem copiar? Hoje não abro uma posição em nenhuma empresa sem conseguir responder a essa pergunta.
Conclusão
O MOAT não é um conceito reservado a académicos ou a grandes investidores institucionais. Na próxima vez que estiveres a analisar uma empresa, antes de olhares para qualquer rácio financeiro, faz esta pergunta: qual é o fosso desta empresa? A resposta vai dizer-te mais sobre o potencial da empresa do que qualquer número nos relatórios financeiros.
Se queres ir mais fundo na análise de empresas com MOAT, no IFI Premium analiso regularmente as teses de investimento com detalhe, incluindo a avaliação da vantagem competitiva de cada empresa.







